quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sempre ele

A sala continua sem móveis, as caixas continuam ocupando espaço no quarto e eu continuo tentando arrumar a vida.

Organizo mentalmente todas as pendências em planilhas imaginárias que no segundo seguinte desaparecem com a mínima intenção de transferência para um papel.

Me perco, me acho, desisto, insisto, aproximo e me afasto. Sinto e observo. Sento e digito. Deito e me canso. Sonho e desperto.

Escrevo bobagens. Invento uma cartilha. Refaço o manual. Faço graça, faço manha, faço angústias, faço tempo.

Misturo esse tempo. Às vezes me escondo, fujo e evito que ele passe por mim. Outras vezes o persigo loucamente como se da sua captura dependesse minha vida.

Não me entendo. Só entendo que sinto tudo e mais um tempo.

domingo, 2 de maio de 2010

Como a seleção de 82...

Não tenho nenhuma relação com futebol. Não sou torcedora, não entendo, acompanho ou me interesso pelo tema.

Quando criança me irritava quando meu pai ficava hipnotizado na frente da TV assistindo a algum jogo (qualquer um) e não me dava atenção, não brincava comigo - mesmo que fosse de jogar bola. E ainda fazia piada dizendo que nasci num sábado e atrapalhei o "baba" dele.

Fui uma única vez na Fonte Nova, assistir ao clássico Ba-Vi, levada por uma amiga de escola e o pai dela, tricolor. Ficamos na arquibancada especial, de frente para a Bamor. Durante o jogo fiquei fascinada pela torcida organizar azul, vermelha e branca e virei simpatizante do Bahia. Sei cantar o hino e tenho uma camisa. Mas não tenho idéia em que divisão o time se encontra, ou qual a escalação que o fez ganhar o campeonato brasileiro (uma ou duas vezes?).

Acho realmente fascinante e incompreensível essa paixão louca e irracional que algumas pessoas, principalmente os homens, têm por times de futebol. Mas acho bonito de ver, confesso.

Em SP parece que tudo é mais potencializado ainda, talvez pelo orgulho dos times grandes, com grana e grandes craques, ou pelo simples fato de que aqui tudo tem que ser melhor do que nos outros lugares. Mas também acho bem assustadora a forma frequentemente violenta que os torcedores paulistanos usam para extravasar suas emoções.

No trabalho, preciso pelo menos ter uma noção dos jogos do fim de semana, campeonatos e resultados. Mas só noção, que representa o máximo de relação que me permiti ter com o esporte nos últimos anos.

De pouco tempo pra cá tenho ouvido falar muito sobre jogadores, times clássicos, grandes jogadas, momentos antológicos, partidas disputadas e xingamentos entre torcedores. E volto a ser criança, entediada com esse universo que não me permite concentrar a atenção tão desejada, pelo menos durante 90 minutos. Mas é só birra de menina mimada, carente e insegura.

No fundo, e não deveria confessar aqui, me divirto com tanta paixão, tanto conhecimento representado por datas precisas, listas, nomes e até manias que vêm à tona quando 22 jogadores (é isso mesmo?) entram em campo.

E nunca pensei que ouviria metáforas futebolísticas tão perfeitas que desmontariam qualquer preconceito que eu pudesse ter com o fantástico mundo do futebol.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Faxina

Mergulhei em um passado digital para organizar as gavetas, fechar as caixas, renomear as pastas e organizar a vida.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dez de Abril

Digo palavras difíceis, às vezes até formais, saídas de romances antigos.

Digo frases simples, escritas durante o dia, divididas em cem partes.

Digo declarações secretas e susurradas ao pé do ouvido.

Digo carinhos com os dedos, boca e corpo inteiro.

Digo com os olhos que sinto vergonha do olhar.

Digo com o sorriso que, agora, não é mais possível parar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Digo ou não Digo?

Agora não... depois.

;)



"Sempre penso em seis coisas impossíveis antes do café da manhã". Alice de Tim Burton é legal, mas nada além disso.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Toneladas de Desejo

Na véspera do feriado fui ver a Timbalada em SP.

Sempre gostei muito de tambor - o sangue não nega - e muito da banda. Frequentei o Candeal Gueto Square durante anos, sem dúvida nenhuma que era um dos lugares onde eu mais adorava ir e mais me divertia.

Mesmo antes de mudar para São Paulo não aparecia mais em shows de axé... só vez ou outra quando saía com algumas queridas amigas. Acho que quando descobri as bandas de rock em Salvador, que tocavam em lugares menores, mais vazios e baratos, fui me envolvendo, envolvendo, e perdi a paciência para multidões, apertos e.. sei lá.. chatices minhas.

Como eu quase nunca consigo visitar Salvador e, quando vou, sempre no período do Reveillon, dificilmente encontro shows das bandas que gosto, aproveitei como boa retirante a empolgação de Biscaia e cia. para matar as saudades.

Fui muito bem acompanhada para um local meio esquisito, fechado, tipo casa de show com boate, que em nada lembrava os ambientes de festas na terra natal - pelo menos os que eu frequentava. Mas, fora seguranças repressores que nos deram carão dizendo "isso aqui não é a Bahia" no auge da empolgação de Chame Gente (onde eu quase chorei de emoção, confesso), tudo foi muito bom.

Em umas três horas de show, com repertório quase todo próprio, eu lavei a alma de água, cerveja e suor. E dancei, e berrei e aproveitei ao máximo o pedacinho da Bahia que veio até mim.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

... e tenho muito sono de manhã

Hoje Murphy quis me irritar, mas não conseguiu.

Eu, feliz da vida, não permiti que um velho rabugento estimulasse qualquer mau pensamento. E nem me esforcei muito para isso.

Se ele tem sua lei, tenho boas lembranças com gosto, cheiro e trilha sonora.