segunda-feira, 8 de março de 2010

Tchau Paim - parte 1

A sensação é muito esquisita.

É a minha primeira mudança sozinha. E só consegui começar a desarrumar a casa dois dias antes da saída oficial.

Parece que todas as caixas, malas, sacos, compartimentos nunca serão o bastante para o que surge a cada gaveta aberta ou cantinho desvendado.

Retiro e jogo fora lembranças de um passado, cartões de visita, recados, roupas e sapatos.

Jogo fora o excesso; e sinto que ainda falta muito.

Talvez amanhã eu chore. Hoje ainda não.

domingo, 7 de março de 2010

Não se afobe não...

Estou angustiada, por uma série de questões.

Vou me mudar. Soube que precisaria sair do apartamento no Carnaval e teria um prazo muito curto para encontrar outro lugar.

Não encontrei nenhum na área onde gostaria e pelo preço que eu gostaria. Até que, já exausta, doente e sem saber o que fazer, recebi um convite. E topei.

Dividirei apartamento. Casa de mulherzinhas mesmo. Eu e mais duas. E nem havia cogitado essa possibilidade. Por gostar de morar só, por gostar da independência, talvez por ser filha única de família pequena que nunca teve a casa cheia.

Mas o "universo cospirou" e vou para o Paraíso (ou Vila Mariana, segundo o google maps). Essa é outra questão. Sempre fui muito apaixonada pela região onde moro, no centro, próximo da Paulista.

Continuarei próxima da Paulista, mas menos, e no outro extremo.

E às vezes fico eufórica. Às vezes assustada. Com a âncora que me puxa para baixo, contra as mudanças, e os balões que me levam para voar alto e explorar novos mundos, hábitos, caminhos.

Não tenho idéia de como será. Só sei que tenho dois dias para arrumar tudo, encaixotar tudo, resolver tudo, e sair do meu apartamento. Lugar de momentos muito felizes e muito tristes. Com histórias e histórias para contar e guardar em quase dois anos.

Acredito até que ter ficado doente também pode ter sido um empurrão (torto) do destino para que eu me despedisse em grande estilo, ficando 4 dias sem colocar os pés para fora dessas poucas paredes. Olhando e me despedindo de cada detalhe. Tudo bem que eu preferia estar bem, otimizando o tempo e adiantado o possível. Mas precisei parar um pouco para cuidar de mim.

O trabalho também me deixou um pouco angustiada. Pessoas me confundem. E questiono se falo demais e se realmente vale a pena ser correta o tempo todo, nunca faltar, sempra seguir as regras, ser caxias... pior é que não consigo ser diferente. Mas um reconhecimento seria bem vindo. Até recebi um, que me deixou bem feliz. Mas logo depois acontece outra coisa que me faz refletir e questionar o que estou fazendo da minha vida profissional. Queria ter projetos meus. Queria saber como colocá-los em prática. Queria um mundo.

E agora, um novo mundo se aproxima. Que seja o início de uma boa fase. Eu mereço.

Noite ensolarada

Mas aí, recebi visitas queridas e parei de me sentir tão só.

Ah, essa montanha-russa emocional que não me deixa respirar em tom contínuo.

sábado, 6 de março de 2010

Dia chuvoso

Hoje me senti sozinha; profunda e completamente só.

Meu pânico de mudanças se manifestou, junto com uma doença chata, que não me deixa ser ativa e me resolver.

E me sinto sozinha.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Eça de Queiroz

Outro dia pensei sobre a literatura na minha vida; em como gosto tanto de escrever mas sou uma leitora terrível. Que eu deveria me esforçar mais, até para treinar a questão da concentração que é o que me afasta dos livros.

Amo enlouquecidamente alguns e admiro profundamente quem é capaz de usar bem as palavras, pensar em tramas, desenvolver diálogos e te transportar completamente para realidades desconhecidas. Me envolvo muito, mas leio muito menos do que gostaria.

E pensando em literatura, do nada, lembrei de Eça de Queiroz. Ele nem é meu preferido, mas gosto muito de Primo Basílio e das adaptações que vi na cinema e TV (Os Maia, O Crime do Padre Amaro e Singularidades de uma Rapariga Loura). Pois é... pensei nele, do nada.

Fato é que nos últimos tempos o "destino" ou sei lá o quê tem me dado vários sinais estranhos e doidos de para onde minha vida deve seguir.

quarta-feira, 3 de março de 2010

"Je" me quitte pas

Saí de casa às três da tarde para tentar resolver problemas e voltei para casa às quatro e meia da manhã sem voz, levemente bêbada, sem problemas resolvidos, mas leve pela diversão que São Paulo me proporciona de vez em quando.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Compositor de Destinos

Hoje relembrei sensações do meu início em SP, logo que cheguei.

Em 16 de fevereiro fiz aniversário de dois anos na cidade, mas o dia passou e nem percebi. Foi na terça-feira de Carnaval e eu estava muito ocupada cuidando do trabalho para pensar ou lembrar disso. O que é bom.

Nunca fui muito boa com datas, mesmo as marcantes, e às vezes até prefiro não lembrar mesmo, sei lá, para evitar a sensação estranha de como o tempo passa rápido.

Mas parando pra pensar, com dois anos de SP, até que estou me saindo bem.

E hoje, em um ponto de ônibus, embaixo de uma árvore num dia chuvoso, sei lá porque, lembrei dos primeiros dias na cidade, logo que cheguei, no Butantã, antiga morada dos Brandões.

Talvez pelo bairro residencial, com cara de residencial, diferente do centro efervescente onde moro.

Não sei, mas até lembrei do cheiro que a cidade tinha, das cores, de tudo tão diferente aos sentidos acostumados à outra vida, outra realidade.

E o tempo passa, sem esperar por ninguém; você que corra atrás dele implorando para que os momentos bons durem uma eternidade, e que os ruins não ultrapassem poucos segundos. Às vezes ele até te atende.