quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ficção

Naquele momento Ludmila só queria um conforto. Ela queria identificar qualquer coisa que pudesse trazer tranquilidade para sua mente transtornada e entristecida. Antes de embarcar, virou-se buscando o olhar dele. E percebeu que exatamente naquele momento o olhar dele buscava outro alguém. Outra que não ela.

Ludmila então seguiu, segurando o chôro e os pedaços do seu coração. Ela não via mais ninguém em sua frente. Ela não queria ver. Sabia que pessoas passavam, que se ajeitavam em suas poltronas, que até tentavam puxar conversa, mas ela não ouvia, não via, não queria.

Na verdade, seu único desejo era o de se encolher tanto ali, no seu pequeno espaço chamado de 23D, até desaparecer. Ela poderia derreter, virar pó ou fumaça. A forma não importava. O importante seria deixar de existir.

Fechou os olhos escondidos atrás de imensas lentes escuras com toda a força que suas pálpebras puderam suportar. Se concentrou em um buraco negro. 40 segundos depois, ainda estava ali.

Então ela desistiu de sumir. Pegou seus fones de ouvido para tentar, ao menos, se distrair com canções jogadas no pequeno som de bolso. Rezou para que nenhuma música trouxesse recordações, boas ou ruins. Cantou para si, afastando outros pensamentos que não participassem da melodia.

Depois de três músicas Ludmila se perdeu. Resolveu então se entregar e pensar até gastar, até acabar, até parar. E no meio da cachoeira de possibilidades, de pessoas, situações e frases, ela percebeu que seus pensamentos eram os únicos dali que voavam.

Impaciente, porque sentia que precisava mais do que nunca ficar longe da cidade, chamou a aeromoça. Perguntou educadamente sobre o motivo do atraso e ouviu que um passageiro de última hora ainda não havia embarcado. Pensou em seu azar por estar presa no solo, quando o que mais precisava era decolar. De novo se entregou aos pensamentos. Os ruins, é claro.

Pensava e mexia nas unhas, nos cabelos, nas pernas e ignorava o que acontecia ao seu redor. Até que percebeu uma agitação na tripulação, como se finalmente tudo estivesse pronto para a partida.

A poltrona ao seu lado estava vazia e, entre um pensamento e outro, achou que o atrasado deveria sentar ali ao seu lado, só para completar o dia ruim não permitindo que ela esticasse as pernas como gostaria.

Ludmila estava certa. Ele chegou. Dessa vez, com os olhos fixos no seu olhar de espanto, e os chocolates que ela mais gostava nas mãos.


- Texto longo como há muito não escrevia... pq é sempre bom pensar em um final feliz.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Meias verdades

Ela se atrapalha; descuida, se entristece.
Ela machuca e sai machucada.
Ela não pára de pensar.
Ela precisa parar de falar.


E em Salvador, faz sol.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Meu primeiro parto

Ela apareceu e nem sequer me olhou.
Seus olhos, semicerrados, não perceberam o meu olhar choroso e detalhado.
Analisei cada canto, cada dedo, cada fio de cabelo, cada falta de dente.
Meu coração, saltitante, foi tomado de amor completamente.
Observei por horas seu sono profundo e movimentos involuntários,
de quem acabou de aterrissar em um mundo onde não mais poderia flutuar.
E agora me encontro perdida por centímetros de uma menina;
De hoje em diante, será impossível não amar Valentina.

domingo, 25 de julho de 2010

Pesadelos

Ela sonha sonhos estranhos. Acorda e chama por ele.
Ele imediatamente responde, e volta, e a abraça.
Suas pernas tremem; as dela, entrelaçadas nas dele.
Ela diz coisas desconexas. Se sente triste. Perdida. Sem chão.
Ele a segura.
Ela conta o tempo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

E agora, Paloma?

Mais uma vez, outra vez mais, um ponto final prepara reticências.

A energia termina, renova, desaparece, cresce..

E eu vou seguindo, do jeito que dá, do jeito que consigo, do jeito que insisto, do jeito de sempre.

sábado, 10 de julho de 2010

Dia 10.

Sou tão desligada com datas, que nem percebo o tempo passar.

Ampulheta

Estou ausente daqui por estar muito presente em outro lugar.